terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Minhas Origens Étnicas


Prof. Dr. Felismar Manoel (1)


No Brasil é bastante complicado falar em etnia, pois grande parte da população é composta de um amálgama étnico, e eu não fujo à regra.

1 - Etnia do lado materno:

1.1 - Indios Puri - Oriundos da Zona da Mata de Minas Gerais, mais notadamente, das regiões que faz limites entre Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Uma jovem índia é capturada e feita prisioneira de uma fazenda de portugueses, onde lhe arranjam um nome com o qual é batizada no catolicismo romano, nome que ela nunca aceitou e assimilou, passando a referir-se sobre sí própria como "Indira Puri", sendo Indira um dos nomes comuns na sua tribo e Puri o orgulho de sua nação indígena; cultivou a arte da cerâmica de utilitários domésticos, de transagens de cipós, fibras, bambus e taquaras, arte que transmitiu a sua filha.

1.2 - Negros Mina - Escravo africano jovem, servidor da fazenda dos portugueses, que igualmente recebeu um nome e o batismo do catolicismo romano, nome que nunca reconheceu e assimilou, passando a referir-se sobre si mesmo como "Tongo Mina", sendo Tongo um nome tribal comum e Mina o orgulho de sua nação africana; cultivou a arte do cultivo de plantas medicinais, hortaliças e agricultura de subsistência.

1.3 - Tongo Mina e Indira Puri se casaram e tiveram uma filha (mais ou menos em 1880) que foi batizada com o nome de Maria Graciana, (não tenho referências se houve mais filhos), tendo assimilado o seu nome de batismo e o devocionismo católico romano, embora vivenciando o hibridismo de valores, tanto indígenas, como africanos comuns entre os povos das aldeias e vilas, mas transferiu seus valores e artes culturais para seus filhos, sem forçá-los.

1.4 - Com a libertação dos escravos, modificou um pouco o panorama vivencial dos povos, com relação a fixação no solo, ali pelas regiões de Pombo, Guaianases, Guidoval, Miraí, Ubá, podendo dizer que, com relação à escravidão, houve certas possibilidades de melhora para Maria Graciana, que casou com um português chamado Juaquim Soares de Souza Lima e tiveram quatro filhos: Silvino, Salvina, Castorina e Maria. O português Juaquim era universitário de Coimbra, "engenheiro de estradas e pontes", com concentração em artes pirotécnicas (arte que transmitiu para os filhos), mas tendo se dedicado com carinho à ciência homeopática (parece que com formação também em Portugal), sendo uma referência nas localidades interioranas para socorrer as populações em questões de saúde e doença. Havia um pouco de "nebulosidade" nas informações sobre o avô Juaquim, sendo um homem simples, muito estudioso das ciências e da Bíblia e conformado com a falta de estudos dos filhos, que pouco falava sobre si mesmo.

1.5 - Maria Soares teve o seu primeiro casamento com um nativo da região do Pombo, salvo engano, com o qual teve quatro filhos: Onesta, Carlita, Nair e Omiro. Seu marido morreu baleado, deixando-a viúva com os filhos, sendo recolhidos pelos pais e avós.

1.6 - O amálgama étnico do lado materno inclui, portanto, etnia puri (indígena), etnia mina (africana) e etnia portuguesa (européia). Vejamos agora o lado paterno.

2 - Etnia do lado paterno:

2.1 - Maria Barbieri, de Gênova na Itália, excelente administradora da fazenda e do lar, zeladora no uso da língua italiana em família, para as orações do ângelus e durante as refeições; aberta às manifestações culturais locais, com diálogo interativo entre as devoções populares e a étnomedicina puri; casada com Giovani, a seguir referido.

2.2 - Giovani Emanueli Giulini, de Calábria na Itália, agricultor, acomodado as circunstâncias históricas locais, colaborador nas decisões da esposa. Casal muito alegre nos encontros familiares (família grandiosa que veio para o Brasil), de falatório alto e constantes celebrações.

2.3 - Do casamento de Maria Barbieri com Giovani tiveram vários filhos: Otaviano (nascido na Itália), Elmira (nascida em águas brasileiras quando vinham de navio), Felício, Emílio, Maria, José, João (nascidos no território brasileiro). Não estou seguro, mas parece que havia uma outra filha de nome Constanza. Não tenho dados muito precisos sobre essa irmandade, pois na minha infância, após a morte da nona (avó), não se conservou uma boa relação entre irmãos (meus tios), não sendo inimigos uns dos outros, mas com certo distanciamento nas convivências, principalmente porque uns eram ricos e outros pobres.

2.4 - Felício se casou com uma italiana, herdeira da Fazenda dos Guilhermes, instalada pacifica e harmoniosamente nas regiões de aldeias puri, no vasto território do Município de Guiricema, próximo ao vilarejo Cruzeiro de Guiricema. Os aldeões eram aculturados aos brancos locais e por sua vez, essa população local também aculturada aos valores dos indígenas puri, onde surgiram casamentos, compadrescos, interatividade laboral, cultural, religiosa, comemorativa de eventos das duas realidades culturais. Surgiu uma nova realidade populacional conhecida como "puri", talvez um "neo-puri"; identificar que alguém era "puri" naquela região, era afirmar que ele era um nativo, ou nativa daquela nova estrutura de convivência, e que era um descendente da nova mistura étnica e que se identificava com os valores das culturas loco-regionais; esta é uma razão pela qual me considero um "puri", principalmente por ser a cultura da minha adolescência, a que mais assimilei nas minhas muitas convivências com diferentes culturas, e a que mais conciliou os meus valores da área científica, filosófica, teológica e de espiritualidade.
Do casamento de Felício com a italiana nasceram filhos: Maria, Luzia, Alverina, Alcenira e José. Infelizmente a mãe dessas crianças morreu nova deixando Felício viúvo na fazenda cuidando dos filhos.

2.5 - A viúva Maria Soares se casa com o viúvo Felício Manoel Julinho (os cartórios brasileiros aportuguesaram os nomes), em vez de "Emanueli Giulini" ficou "Manoel Julinho", passando todos os descendentes a constar como, ... "fulano" Manoel Julinho, quando deveria ser ... "fulano" Emanueli Giulini. Do novo casamento dos viúvos nasceram mais filhos: Messias, Joaquim, João, Edes, Felismar (eu) e Sudário, que passou a conviver na fazenda, com muita constância toda essa nova irmandade, resultante dos filhos dos três casamentos.

2.6 - Com esse casamento dos dois viúvos, o amálgama étnico é enriquecido agora com mais dois elementos de etnias europeias, de matriz italiana (Gênova e Calábria).

3 - Amálgama Étnico Brasileiro:

3.1 - Não existe um estudo apurado, etnologicamente elaborado das realidades brasileiras, até porque necessitaria de múltiplas etnografias loco-regionais consistentes, para que se pudesse concluir comparações e conclusões etnológicas.
Considero-me um puri, provavelmente um neo-puri, embora tendo perdido os semantemas da língua original puri, porque das culturas de convivências participativas da minha vida, é a cultura dos nativos puri a que mais me identifico, por sua harmonização entre natureza e ciência, entre ciência e espiritualidade, entre o novo e o velho; por sua abertura para o novo, sem abandonar a responsabilidade de testemunhar a valorização do antigo, dialogando com o novo, em prol de uma convivência útil e harmoniosa entre os diferentes seres humanos, entre os seres humanos e a natureza da qual ele se faz parte, entre os valores das culturas e ciências humanas e sua compatibilização com a transcendência, por seu senso de irmanação entre todas as criaturas de Deus, por seu profundo olhar misericordioso, benevolente, igualitário, para o outro diferente e para todas as coisas.

3.2 - Memorial de minha vida pessoal. Me cobram a publicação de minha autobiografia, ou relatos de minhas experiências de vida. Mas tenho estado envolvido em tantas atividades em prol de causas mais essenciais, durante esta minha existência de 73 anos, que não tem sobrado tempo suficiente para desenvolver um trabalho de tal natureza.
Minha experiência missionária junto às diferentes comunidades, desde meus dezesseis anos, trouxe-me bagagens, principalmente sob a ótica antropológica e eclesial, que me inclina a uma futura publicação. Mas é muito difícil, para quem viveu e continua vivendo do trabalho assalariado, ter disponibilidade material e de tempo suficiente para tal empreitada. Hoje tenho a felicidade de exercer o Magistério Superior na Universidade Grande Rio, Instituição que muito amo e estimo por seus múltiplos empenhos, com singular desempenho dos elevados ideais do seu fundador Reverendo Pastor José de Souza Herdy. Fazer o que gosto e em ambiente compromissado com ideais elevados, é confortador para mim. Deus seja louvado.
Espero em tempos não muito distantes, até porque já tenho 73 anos, atualizar o meu "Memorial" e torná-lo público em meu blog. Com saudosismo de minha adolescência entre os puri e revivendo o espírito do romantismo da alma, despeço-me, firmado no nome puri, que na adolescência escolhi...

               Nhãmanrúri Schuteh (Córrego tranquilo, bonito)
           Felismar Manoel - Duque de Caxias, RJ - Natal de 2012


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1) - Professor Mestre Adjunto I da UNIGRANRIO; Doutor em Filosofia da Religião - SETESA/Não Capes; Mestre em Ciências da Motricidade Humana - UCB/Capes; Formação em Psicanálise Clínica - SFPC; Formação em Psicomotricidade Sistêmica - CEC; Formador-Didata em Terapia Psicomotora Analítico Clínica - TEPAC do CEBRASC; Especialista em Docência Superior - IBMR; Bacharel em Fisioterapia - IBMR; Bacharel em Filosofia - SETESA; Bacharel em Teologia - SETESA; Bispo Primaz do Catolicismo Evangélico Salomonita - ICAI-TS.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Treinamento do Qi, a Energia Vital


Prof. Dr. Felismar Manoel (1)


O "Qi" (Tchi) dos Taoistas, ou a "Energia Vital (EV)" da medicina energética dos ocidentais é capaz de ser treinado/a. Existem estruturas corporais com funcionamentos virtuais que são elaboradas pela pessoa, através do funcionamento mental, associado à consciência corporal e a respiração tecnicamente treinadas.

1 - A linha média que divide o tronco e cabeça em metade esquerda e metade direita, é aqui considerado como o Canal Central (CC) para direcionamento do Qi. Vou fazer a descrição ignorando alguns detalhes, adotando o ponto de vista prático, para facilitar os meus leitores na sua prática pessoal. Entretanto, é bom que fique claro, que existem outros detalhes em pertinência, para os quais é bom buscar a assistência de um Orientador Responsável.

2 - Existem nos corpos biológicos várias fontes energéticas resultantes da programação biológica criada pelo Autor da Vida e do funcionamento metabólico corporal. Aqui vai nos interessar principalmente a "energia geradora (EG)", presente em todos os seres vivos, e que, nos seres humanos se localiza primariamente cerca das regiões dos rins. Esta EG é a base inicial para a obtenção dos variados tipos de energias que irão compor a EV responsável pela nossa saúde e vida plena (Calibiótica) no planeta que vivemos.

A estrutura interna do tronco dos seres humanos comporta três divisões com órgãos e visceras funcionais, onde serão formados virtualmente os três aquecedores metabolizadores das energias diversas que formam a EV:
a) - na região do baixo ventre, do umbigo para baixo, será formado o aquecedor inferior que transformará a EG e outras frações energéticas em matéria prima energética da pessoa;
b) - na região desde o umbigo até a musculatura do diafragma, será formado o aquecedor médio que transformará a matéria prima energética da pessoa em EV da pessoa;
c) - na região desde o diafragma até o alto da caixa toráxica, será formado o aquecedor superior que transformará a EV em energia espiritual da pessoa.

3 - Vamos pontuar algumas regiões do CC corporal para facilitar nossa comunicação e entendimento:
a) - ponto perineal (PP), no baixo ventre, entre o sexo e o ânus, local por onde se exterioriza a EG que será direcionada por nossa imaginação subindo pela coluna vertebral posterior;
b) - ponto supra sacral (PSS), que se localiza acima do sacro na coluna vertebral lombar, cerca de L2 e L3, mais ou menos na direção oposta ao umbigo. Nesse ponto se localizará o primeiro órgão transformador da EG em "agente de transformação", ou "matéria prima energética" da pessoa (MPE);
c) - ponto sub-inter-escapular vertebral (PSIEV), mais ou menos na região oposta ao plexo solar. Nesse ponto se localizará o segundo órgão transformador da MPE em vitalidade, ou energia vital (EV);
d) - ponto ociptal (PO), que se localiza na região ociptal, na parte final da coluna vertebral, na entrada da calota craneana. Nesse ponto se localizará o terceiro órgão tranformador da EV em energia espiritual (EE);
e) - ponto central superior no alto da cabeça (PCS), região que se abre às energias cósmicas siderais e energias celestiais superiores;
f) - ponto facial inter-sobrancelhas (PFIS), que se localiza na região da face superior, entre as sobrancelhas. Nesse ponto se localizará o Tam Tiem Superior (TTS), ou o depositário da energia espiritual (EE) da pessoa, aprofundado lá no cérebro, nas interconexões entre as glândulas hipófise e epífise. Essa EE poderá ser trabalhada visando resultados espirituais, somente sob tutela de um experiente Orientador Responsável;
g) - ponto da região bucal (PRB), que envolve a região orbital da boca, a língua e a região do palato (céu da boca). A língua deverá ser dobrada e sua ponta apoiar no palato mole durante o treinamento diário da EV;
h) - ponto intermamilar timocardíaco (PIMTC), localizado na região central da frente do corpo, entre os mamilos, referenciando o timo e o coração. Ponto importante na distribuição da EV para todo o corpo físico, mental/psíquico e emocional;
i) - ponto do plexo solar (PPS), localizada na região central da frente do corpo, logo abaixo do apêndice xifóide. Nesse ponto se localizará o Tam Tiem Médio, ou o depositário da EV, aprofundado nos diversos plexos internos, sanguíneos, neurais e linfáticos, abastecidos pelas ações metabólicas das vísceras e órgãos que compõem o Triplo Aquecedor, importante órgão energético virtual a ser elaborado pelo treinamento e vivência da pessoa;
j) - ponto umbilical (PU), localizado na região umbilical, aprofundado como "porta da vida" no campo visceral. Nesse ponto se localizará o Tam Tiem Inferior (TTI), ou o depositário da MPE da pessoa, disponível para as suas elaborações somato-psíquicas e espirituais;
k) - retorno à região do PP que circulará agora fluxos das três frações energéticas (EG, MPE e EV), que por sua vez, ao passarem pelos ógãos tranformadores específicos, sofrerão as seguintes transformações:
- i - a EG se tranformará em MPE da pessoa;
- ii - a MPE se tranformará em EV da pessoa;
- iii - a EV se transformará em EE da pessoa;
- iiii - a EE servirá para manter a vida de propósitos estabelecidos e manter a
serenidade da pessoa;
l) - a pessoa deverá fazer o treinamento desse circúito, calma e conscientemente, durante 20 a 30 minutos diariamente como prática ideal, principalmente na fase inicial, nos três primeiros meses, e para manutenção alternando dia sim, dia não, para conseguir bons resultados, na manutenção do tônus vital, vigor físico, mental/psiquico, emocional, cognitivo, espiritual e no combate aos estresses.

4 - Sentar-se corretamente, com a coluna ereta, confortavelmente, sem roupas apertadas, bem higienizados e bem alimentados (sem exageros); conservar-se distantes das drogas, distantes do ódio, distantes dos ciumes; manter-se armados de boa vontade, desejosos do bem, do certo e do bom, para si mesmo, para os outros; desejar uma comunidade melhor, uma cidade melhor, um país melhor, um mundo melhor, um planeta melhor.
Se estiver enfermo, ou com fraqueza, deitar de lado, com a cabeça apoiada em um braço dobrado e outro ao longo do corpo, tendo uma perna estendida sobre a outra perna dobrada.
Iniciar e manter o exercício de 20 a 30 minutos, observando os detalhes que seguem:
a) - tomar consciência da postura corporal adotada, pois os fluxos energéticos seguem rotas mais funcionais do corpo, devendo conservar-se com boa conscientização corporal durante os exercícios;
b) - colocar a ponta da língua dobrada encostada no palato mole (céu da boca) e conservá-la durante os exercícios;
c) - respirar com a boca fechada, só pelas narinas, tendo o cuidado de descer o músculo diafragma em cada inspiração, empurrando as vísceras para baixo (fazendo dilatar o abdome), o que faz aumentar a área pulmonar e captar um maior volume de ar. O ar captado traz também frações energéticas cosmo-siderais, bióticas ambientais e espirituais, que se juntam à EG e circularão pelo CC, passando pelas transformações já citadas e compondo a EV da pessoa;
d) - com a imaginação mental percorrer todos os pontos do CC levando a energia, fazendo várias voltas durante a duração dos exercícios. É possível que sinta algumas alterações na fase inicial, nos pontos ou trajetos do CC como formigamento, dormência e finalmente um suave calor. Isso já é esperado e não tem nenhuma importância, sendo que se espera na fase mais madura dos exercícios, um brando calor nas regiões.
Se acontecer involuntariamente, na fase inicial, a emissão de alguns sons guturais, não dê importância, pois ´será apenas desbloqueio de algumas rotas da energia, devendo cessar com o desenvolvimento do treinamento energético; igualmente de tiver algumas "visões", "audição" de sons, ou coisas semelhantes, não dê atenção, pois trata-se de desbloqueio de rotas energéticas do corpo, que cessarão com o livre fluxo da EV.
e) - à medida que você tiver adotado o treinamento como uma rotina, você se sentirá melhor, mais consciente, melhor controlado, com maior vigor físico, mental/psíquico, emocional e espiritual, com melhor capacidade cognitiva, sendo capaz de criar, desenvolver e manter um mundo melhor à sua volta.
Se você for terapeuta, terá melhores condições de tranformar as "cargas" psico-afetivas negativas carreadas de seus clientes em energias positivas.
Você poderá direcionar a sua EV para as regiões específicas de seu corpo, conforme for necessário, bem como, poderá dirigí-la para fora do seu corpo, em direção ao corpo do cliente que dela estiver necessitando, através das mãos, ou com o pensamento imaginativo, sem necessariamente tocar, apenas se aproximando do corpo.
f) - A prática da circulação energética é um excelente meio de combater os estresses, tanto físico, quanto mental/psíquico e emocional.
g) - Após terminar os exercícios de treinamento da energia Qi (Tchi), mantenha uma atitude de agradecimento ao Autor da Vida e ao seu Universo, que possibilitou você transitar inteligentemente no Campo da Energia Vital.

Existe possibilidade de uma vida boa (Calibiótica) construída pela nossa vontade e empenho, que enseja transformar o planeta terra em uma "zoesia" (vida em plenitude) no conceito de Jesus Cristo. Para isso precisamos admitir essa hipótese, desejá-la imaginando "um mundo melhor" e agir, fazendo a parte que nos cabe nesta construção. Empenhemo-nos nessa empreitada! Nossos descendentes merecem esse legado de paz, solidariedade, harmonia, sustentabilidade das condições de vida digna no planeta que recebemos como cenário da nossa evolução criativa.

Se você está se tornando adepto desta forma de viver e patrocinar a vida em plenitude, imagine e deseje um mundo melhor em suas reflexões; abstenha-se das diferentes drogas que corroem a vida, abstenha-se dos diferentes conservantes e aditivos químicos que estão incorporados aos diversos alimentos industrializados; adquira e cultive uma consciência crítica a esse respeito e passe as informações corretas aos seus círculos de influências; ame as diferentes formas de vida que estão presentes em nossos ecossistemas, que os enriquecem e que não nos trazem nenhum mal; não deseje construir sua felicidade às custas dos animais, que também sofrem dores, sentem medo e são capazes de conosco construírem parcerias. Ame a vida, onde ela se manifestar, pois ela é a mais forte manifestação do amor de Deus.
Irmanados pela vida no amor de Deus.
Felismar Manoel
www.felismarmanoel@gmail.com

Referência Bibliográfica:

Yoga Taoista - Alquimia e Imortalidade. Lu K'uan Yu.
Madrid: Altalena Editores S/A, 1982
___________________________________________________________________
(1) Fisioterapeuta - IBMR; Mestre em Motricidade Humana - UCB/Capes; Professor Mestre Adjunto I da UNIGRANRIO; Doutor em Filosofia da Religião - SETESA/Não Capes; Formação em Psicanálise Clínica - SFPC; Formação em Psicomotricidade Sistêmica - CEC; Formador-Didata em Terapia Psicomotora Analítico-Clínica - TEPAC do CEBRASC; Especialista em Educação - IBMR; Bacharel em Filosofia - SETESA; Bacharel em Teologia - SETESA; Bispo Primaz do Catolicismo Apostólico Salomonita (2010).


domingo, 16 de setembro de 2012

Efetividade da Fisioterapia Psicocinética no Enfrentamento do Baixo Rendimento Acadêmico de Universitários



Prof. Dr. Felismar Manoel (1), Rita Suellen Monteiro dos Santos, (2) Leticia Maura G. Figueiredo (2), Ubiratam Curcino Júnior (2).

Resumo
Objetivando verificar a melhora do rendimento acadêmico em alunos universitários através de atividades corporais (psicomotoras), foi desenvolvido um projeto piloto no período de fevereiro a junho de 2004 com quinze alunos de graduação, sendo (dois homens e treze mulheres), que apresentavam repetência em diferentes disciplinas em vários períodos de seus cursos. Essas atividades corporais foram realizadas uma vez por semana, com duração de sessenta minutos em um total de até treze sessões. Esses alunos adultos da graduação relataram dificuldades como, Insegurança, baixa concentração e dificuldade de memória, baixa assimilação e dificuldade de escrita, timidez, alta ansiedade e tensão, dificuldades de raciocínio, baixo aprendizado, sendo essas queixas categorizadas para orientar uma pesquisa futura. Após o período de aplicação dessas atividades físicas os alunos relataram autopercepção de melhora, reduzindo e/ou extinguindo o número de reprovações. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade do Grande Rio - UNIGRANRIO.
Palavras-chave:
Fisioterapia Psicocinética; Baixo Rendimento Acadêmico de universitários; Terapia Psicomotora Funcional.
Introdução:
A cada início de período letivo, os professores percebem os espaços das universidades repletos de alunos que se movimentam para as buscas das realizações de seus sonhos pessoais, e às vezes, sonhos de suas famílias. É um espaço de encontro dos novos com os velhos alunos, de diferentes etnias e diferentes formações culturais, os quais vão compartilhar as múltiplas tarefas de ensino-aprendizagem, com novas linguagens pedagógicas.
Estudos com universitários dos primeiros períodos acadêmicos relatam a existência de dificuldades adaptativas desses alunos no ambiente universitário, com repercussões desfavoráveis ao rendimento acadêmico, citando como principais dificuldades, o enfrentamento aos métodos de estudos, as bases de seus conhecimentos prévios e a autopercepção das competências cognitivas (SANTOS E ALMEIDA, 1999).
Os alunos das universidades particulares, em sua maioria, já trabalham em algumas atividades em busca de recursos para pagarem ou complementarem as parcelas do custo financeiro do seu curso acadêmico, afetando as condições temporais que dificultam os seus respectivos envolvimentos nas atividades extraclasses, que geralmente são necessários como reforço e complemento de seus estudos na universidade (CARELLI E SANTOS, 1999).
Existe uma preocupação nas áreas pedagógicas e dos núcleos de apoio pedagógicos das próprias universidades, em encontrarem estratégias que ajudem os alunos que não conseguem um rendimento acadêmico satisfatório em seus estudos (PERRENOUD, 1999).
As intervenções terapêuticas psicomotoras, com suas atividades físicas caracterizadas como moderadas, tem registrado algumas evidências positivas, principalmente quando aplicadas na população infantil e na idade escolar (LE CAMUS, 1986; VECHIATO, 1989; KISHIMOTO, 2005).
Atualmente, com as pesquisas no campo das neurociências, vêm se confirmando a eficiência da experienciação corporal para as respostas da plasticidade neural, tanto em animais de laboratório, quanto em humanos adultos, esses últimos com melhoras da performance funcional ( KOLB E WISHAW, 2002).
É sabido que as atividades físicas moderadas, como são as atividades psicomotoras, tem um impacto positivo sobre o aspecto psicológico, produzindo sensação de bem estar e prazer, com redução da ansiedade e até mesmo da depressão (DUBOW, 2003). Por outro lado, os benefícios também se verificam no sistema nervoso, melhorando a saúde cerebral, através da promoção da vascularização, da neurogênese e consequente melhora do aprendizado (ROGERS etal, 1990; BLACK etal, 1990; VAN PRAG etal; LAURIN etal, 2001).
Estudos bem recentes apontam para a resolutividade das atividades físicas moderadas, como são os exercícios psicomotores, para a melhora da plasticidade neural, com efeitos positivos para o rendimento escolar e o aprendizado, desde a fase da infância até a velhice, podendo ser útil para diminuir o índice de reprovação acadêmica e melhorar o indivíduo como um todo, contribuindo para adaptação dos alunos à vida universitária, com reflexos positivos nos seus resultados de aproveitamentos acadêmicos (CASTELLI etal, 2007; HILLMAN etal, 2005; ORTEGA etal, 2008). Esses estudos fornecem subsídios animadores para a intervenção da fisioterapia psicocinética funcional, através do uso de atividades corporais psicomotoras, já proclamadas como legítimas para ajudar no desenvolvimento do ser humano (LE BOUCH, 1978; 1987 E 2008).
A fisioterapia psicocinética funcional é uma abordagem ainda pouco divulgada, que se apropria das variedades de atividades corporais psicomotoras para resolver questões da aprendizagem escolar, enquadrando-se nos ditames da Resolução nº 80 do Egrégio Conselho Federal de fisioterapia e Terapia Ocupacional, quando usa movimentos corporais humanos objetivando repercussões psíquicas e orgânicas, para preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade do sitema neuroencefálico e suas funções cognitivas ( COFFITO, Resolução 80).
Materiais e Métodos
Este projeto piloto foi desenvolvido entre o período de fevereiro a junho de 2004 com quinze alunos de graduação (dois homens e treze mulheres) que apresentavam repetência em diferentes disciplinas, em vários períodos de seus cursos. Esses alunos foram individualmente entrevistados e ouvidos, antes das atividades de reeducação funcional global, relatando eles: Insegurança, baixa concentração e memória, baixa assimilação e escrita, timidez, alta ansiedade e tensão, dificuldades de raciocínio e baixo aprendizado, sendo essas queixas categorizadas para orientar uma pesquisa futura. Foram submetidos a uma sequência de atividades corporais, utilizando as instalações do “dojô” da universidade, (uma sala com tatame, com cinquenta metros quadrados), que possibilita atividades corporais de solo. Essas atividades corporais seguiram os princípios de ativação dos esquemas filogenéticos, que são normalmente reprisados na ontogênese da pessoa, sendo este método denominado de Reeducação Funcional Psicomotora. Este método foi composto das seguintes sequências: rolamento e reptação corporal; sentar e arrastar-se no tatame com o apoio e tração dos braços e mãos; deslocar-se no tatame com apoio dos joelhos e mãos, tendo o tronco elevado no solo, sobre os quatro apoios; deslocar-se no solo, a partir dos quatro apoios e apoiar as mãos em uma cadeira para ficar de joelhos e em pé, a partir desta braqueação de apoio; deambular (em bipedismo) em linha reta, visando um alvo à distância de sete metros, com olhos abertos e com olhos fechados, para frente e para trás; deambular (em bipedismo) contornando obstáculos, com olhos abertos e com olhos fechados. Todas estas atividades corporais visam, através dos estímulos aferentes, disparados por todo o corpo, ativar os padrões e esquemas filogenéticos e otimizar a irrigação sanguínea das estruturas do sistema neuro encefálicos, e assim possibilitar uma melhor performance pessoal e rendimento cognitivo nas diferentes tarefas acadêmicas.
Resultados
Foram desenvolvidas sessões de atividades corporais com alunos uma vez por semana, com duração de sessenta minutos em um total de treze sessões no período de fevereiro a junho de 2004 utilizando o “dojô” da Universidade UNIGRANRIO em Duque de Caxias, visando a obtenção de melhoras nas principais queixas dos mesmos. Após o período de aplicação dessas atividades físicas todos os alunos (representados por letras) tiveram uma melhora, reduzindo e/ou extinguindo o número de reprovações, conforme tabelas 1 e 2 .
Tabela 1 - Acompanhamento de alunos antes e depois da terapia

Em arial: antes da terapia
Em Segoe: após a terapia

Reprovações por períodos, antes e após a terapia
Alunos
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
8º
A
7
3
3
5
5
1


B
4
2
5
1
1
0


C
0
0
1
1
1
0
0

D
7
4
4
1
5
1


E
3
3
3
2
1
2
0
0
F
1
0
0
1
0



G
7
7
5
3
6
0
0

H
1
2
1
2
4
0
1
0
I
0
1
1
0
2
0
0

J
2
2
2
2
2
2
1
0
K
5
5
9
5
2
0




Observações: Quatro alunos que não forneceram dados completos foram excluídos

Tabela 2 - Relatos das autopercepções dos alunos



Aluno
Queixa principal
Nº sessões
Autopercepção após terapia
A
Baixa concentração e memória
4
Sente-se bem
B
Insegurança pessoal
10
Sente-se bem
C
Insegurança pessoal
13
Sente-se bem
D
Baixa concentração e raciocínio
4
Interrompeu
E
Timidez
6
Sem relato
F
Baixa concentração e memória
4
Sem relato
G
Baixa concentração
13
Sente-se bem
H
Dificuldade em relacionar com doente
10
Sem relato
I
Baixa memória
4
Sente-se melhor
J
Baixa concentração e memória
4
Sem relato
K
Timidez
13
Sente-se bem

Observações: Quatro alunos sem dados básicos foram excluídos
Discussão
A abordagem centrada na pessoa, adequada ao seu perfil pessoal, através da mediação do corpo, possibilita a ativação dos esquemas neurais elaborados durante a filogênese (evolução filogenética das espécies) e que normalmente se repetem durante a ontogênese (evolução embriológica, fetal e pós natal do ser humano), que enquanto vivência e experiência individual estimula a plasticidade neural, com melhoria da irrigação sanguínea cerebral local, do metabolismo neuronal e da facilitação na execução dos engramas sinápticos do encéfalo responsáveis pelos comportamentos pessoais, otimizando em conseqüência as funções globais do ser humano, conforme referência dos diversos autores citados acima.
Para um entendimento sobre a efetividade dos testes no qual os alunos foram submetidos, tomou-se de empréstimo algumas definições já conhecidas, como filogênese que estuda a história da evolução criativa das espécies, nomeadamente a constituição dos seres humanos como sujeitos cognitivos; a paleontologia humana, baseada em inúmeras investigações, com a afirmação de que os humanos nem sempre tiveram a mesma constituição e capacidades. A explicação mais consensual é que a evolução da constituição morfológica e funcional humana foi feita em simultâneo com o desenvolvimento das capacidades cognitivas (memória, linguagem e pensamento) e esta de forma articulada com o desenvolvimento das realizações, praxias e capacidades técnicas. Todos estes fatores de forma inter-relacionadas contribuíram para gerarem a espécie atual; e a ontogênese, em que o conhecimento é encarado como um processo de adaptações ao meio, que desde o nascimento ocorre em todos os seres vivos. Segundo diversos autores, a ontogênese repete e ativa os esquemas da filogênese, isto é, o desenvolvimento do ser humano é como que repetindo as fases de desenvolvimento de cada ente biológico do filo dos vertebrados (FONSECA, 1998), razão pela qual a sua reprodução como técnica terapêutica, oferece resultados favoráveis ao gerenciamento neuronal da performance pessoal do aluno.
Quando se analisa as literaturas e/ou os artigos científicos, se depara sempre com os autores se referindo às melhoras que as crianças têm com as atividades corporais, com a ativação dos esquemas filogenéticos que são normalmente reprisados na ontogênese da pessoa. São pedagogos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais, que relatam melhorias do desenvolvimento neuropsicomotor dessas crianças, quando submetidas a essas atividades. Este estudo propôs verificar, se, assim como as crianças adquirem uma melhora em sua cognição quando submetidas a essas atividades corporais, também os adultos quando submetidos às mesmas atividades, obteriam melhora em seu comportamento de aprendizados, melhorando sua concentração, memorização, raciocínio e assim, proporcionar bem estar psicossocial e melhora na sua performance cognitiva individualmente.
Conclusão
Há consensualidade que a ontogênese humana reproduz etapas da filogênese dos vertebrados e que técnicas de atividades corporais utilizando tais esquemas são proveitosas terapeuticamente; entretanto, a história de vida da pessoa é um fator que exige individualização das abordagens, já que cada indivíduo é diferente um do outro em suas subjetividades; existem olhares plurais sobre as atividades corporais, o que não quer dizer que tais autores concluam divergências, pelo contrário, são pautados em pressupostos comuns da atividade física, da filogênese e da ontogênese. Quanto ao aspecto da resolutividade da fisioterapia psicocinética no enfrentamento do baixo rendimento acadêmico, foi verificado que há maior número de estudos que comprovam a eficácia em crianças e menor número envolvendo adultos, corroborando este trabalho para somar-se àqueles que concluem positivamente a favor do êxito também em adultos. Valorizou-se o aspecto fenomenológico do estudo, através da autopercepção dos alunos envolvidos, que relataram melhora em seus rendimentos acadêmicos, melhora da autoestima, melhora do grau de concentração, superação da timidez e da insegurança e melhora na memorização. Deve-se notar, que, parte dos alunos ao perceberem as melhoras, resolvendo suas queixas principais, abandonam o cenário terapêutico, impedindo uma avaliação mais plena por falta dos seus respectivos dados.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, L. S., Balão, S. Treino cognitivo de alunos com dificuldades na aprendizagem: reflexões em torno de uma experiência no 5º ano. Revista Portuguesa de Educação. v. 9, n. 2, p. 29-41,1996;
ALMEIDA, L. S., Inteligência e aprendizagem: dos seus relacionamentos à sua promoção Psicologia : Teoria e pesquisa, v 8, n.3, p. 277-292, 1992;
CARELLI, M. J. G., Santos, A. A. A. Condições Temporais e Pessoais de Estudo em Universitários. Psicologia Escolar e Educacional, v. 2, n. 3, p. 265-278, 1998;
CASTELLI DM; Hillmam CH, Buck SM, Erwin HE Physical fitness. 2007;29:239-52
COFFITO RESOLUÇÃO 80 - Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional;
KISHIMOTO TIZUCO M. – Jogo, brinquedo e brincadeira e a educação (organizador) 8ª edição . São Paulo: Cortez, 2005;
KOLB; WHISHAW, Ian Q. Neurociência do Comportamento. Barueri: Editora Manole Ltda;
FONSECA, Vítor da. Manual de obsevação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995;
FONSECA, Vitor da. Da filogênese à ontogênese da motricidade. Porto Alegre: Artes Médicas,1988. 309 pp;
LE CAMUS,  Jean. Psicomotricidade, Editora: Artes Médicas, Porto Alegre, 1986, 164p;
LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Trad. Por Ana Guardiola Brizolara. 7ª edição. Porto alegre: Artes Médicas, 1992;
NETO, Francisco Rosa. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002;
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico. 5ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2001;
ROGERS RL, After reaching retirement age physical activity sustains cerebral perfusion and cognition 1990; 38: 123-8;
TOJAL, João Batista. Motricidade Humana: O paradigma emergente. Campinas, SP: editora UNICAMP, 1994.
VAN PRAGG, H, Enhances neurogenesis, learning and long-term potentiation in mice. Proc Natl Acad Sci USA 1999;96:13427-31;
VECCHIATO, Mauro. Psicomotricidade relacional e Terapia. Porto Alegre: Artes médicas,1986;
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1) Fisioterapeuta - IBMR; Mestre em Motricidade Humana - UCB/Capes; Professor Mestre Adjunto I da UNIGRANRIO; Doutor em Filosofia da Religião - SETESA/Não Capes; Formação em Psicanálise Clínica - SFPC; Formação em Psicomotricidade Sistêmica - CEC; Formador-Didata em Terapia Psicomotora Analítico-Clínica - TEPAC do CEBRASC; Especialista em Educação - IBMR; Bacharel em Filosofia - SETESA; Bacharel em Teologia - SETESA; Bispo Primaz do Catolicismo Apostólico Salomonita (1902-2010).
(2) Bacharelandos de Fisioterapia da UNIGRANRIO que se envolveram como voluntários na execução das atividades terapêuticas e na apresentação dos resultados em eventos científicos.





sábado, 1 de setembro de 2012

O INCONCIENTE NA MOTRICIDADE HUMANA


Felismar Manoel – 1
Rosa Maria Prista – 2



A motricidade humana enquanto ciência do homem fundamenta diferentes fazeres dos que assistem ao ser humano nos seus respectivos projetos do estar-no-mundo para realizar alguma coisa. Entre esses assistentes, muitos são terapeutas, para os quais não há como olvidar as intercorrências do inconsciente presente no desenvovimento dos projetos de vida de seus clientes manifestados por meio da motricidade.
Já bem afirmou Manuel Sérgio (1994), “ que a motricidade humana se resolve em um projeto e movimenta-se desde a consciência de um ser carenciado, até a função estrutural e estruturante, de quem surprende o pormenor na estrutura, a estrutura no pormenor e o presente de onde surge o futuro. E por ser projeto, o ser humano prova que não é só razão, mas também imaginação, inconsciência e pré-consciência, tudo reunido em um eu singular e unificante.”
É, portanto, um eu singular, que nos tornou a cada um de nós, nos especialistas que somos, realizando na motricidade o nosso projeto de vida. É um eu singular que recorre aos nossos serviços nas escolas, academias, consultórios, clínicas,, quadras desportivas, ou qualquer dos espaços que oferecemos para a convivência empática, ou vincular. Todos esses trazem em suas bagagens as memórias filogenéticas e ontogenéticas, elaboradas em suas respectivas histórias de vida, imbricadas com seus potenciais genéticos, influências socioculturais e ambientais. Pois é de suas corporeidades detentoras dessas memórias que surgem as motricidades intencionalizadas, como projetos rumo à transcendência, para suprir suas carências do mundo da cultura, mundo este que é por eles construído, mas que também o influencia, o modifica, através das próprias motricidades. Neste contexto a motricidade humana é uma ponte entre a corporeidade do sujeito e o mundo da cultura, pois que é por ela que ele efetivamente se mostra no mundo e na cultura, com a sua identidade singular e é enriquecida essa identidade com os aspectos que lhe despertar pertinências, do mundo e da cultura. Aí o ser se faz epifania pela própria corporeidade enriquecida enquanto subjetividade.
Manuel Sérgio (1994), comentando Merleau Ponty, afirma que...”para ele a lógica do ser tem muito de pré-racional, por isso que enraiza também no inconsciente. Há tendências instintivas dentro de cada um de nós, que entram em conflito com o ego e o superego, dada a sua intensidade explosiva. A resistência à satisfação dos desejos pode produzir o recalcamento e surgir então o desequilibrio da pessoa. Por isso, Paul Chauchard afirmava que diante da pessoa que sofre, não basta ser um técnico. É preciso descer, por assim dizer, aos abismos do homem donde irrompem forças,à razão lógica indisciplinadas e truculentas. A verdade, porém, é que o homem vive e morre, sob sua ação. Talvez seja por este motivo que somos naturalmente insatisfeitos. As nossas próprias limitações, despojando-nos de presunçosa suficiência, levam-nos, sem desânimo nem jaça, para além do que somos, em direção ao que está de acordo com as nossas secretas medidas (des-medidas) interiores.”
Também António Damásio (2000), comentando uma experiência realizada em seu laboratório, em colaboração com Antoine Bechara e Hanna Damásio, diz que, "talvez seja o exemplo mais decisivo do processamento inconsciente obtido em suas pesquisas, um trabalho que se baseia em uma tarefa que requer tomada de decisão, e revela que várias decisões que exigem conhecimentos relevantes e lógica são facilitados por uma influência inconsciente, que ocorre antes que o conhecimento e a lógica desempenem seus papéis". Revela que as emoções tem um papel importante no desencadeamento dos sinais inconscientes.
Ainda William D. McArdle (1992), em seu livro texto de Fisiologia do Exercicio, discorreu sobre fatores psicológicos e neurais que modificam a expessão da força humana em treinamento de resistência, nos diferentes movimentos voluntários, e agora sem referir-se a patologias, verificados em condições experimentais de laboratório, e afirma que, foi a hipnose, considerada uma das mais "mentais" das atividades, a que maior resultado ofereceu facilitando o tratamento experimental.
No livro Neurociência da Mente e do Comportamento, coordenado por Roberto Lent, Vargas, Rodrigues e Fontana (2008), escrevendo sobre o controle motor, afirmam que a motivação é crucial para a formação de novos comportamentos motores, bem como, para a manutenção dos comportamentos já estabelecidos.
Gazzaniga e Heartherton (2005), escrevendo como a motivação ativa, dirige e sustenta a ação, afirmam que as teorias da motivação enfatizam que os estados motivacionais são energizantes no sentido de que ativam ou estimulam os comportamentos: "são diretivas no sentido de que orientam os comportamentos para satisfazer objetivos ou necessidades especificas; ajudam as pessoas em seu comportamento até que os objetivos sejam atingidos ou as necessidades sejam satisfeitas"; a maioria das teorias concorda que os motivos diferem em sua força, dependendo de fatores intrínsecos e extrínsecos. Sem aprofundar em seus mecanismos, pode-se afirmar que os instintos, necessidades, os impulsos e as recompensas motivam o comportamento, e não sendo diferente com os comportamentos motores, que compõem a motricidade humana.
Para os autores, que militamos nossas práticas profissionais junto a pessoas portadoras de disfunções psicomotoras, deficiências cinéticas, distúrbios cognitivos e ou diferentes desajustamentos familiares e ou sociais, é imperioso considerar o inconsciente, o instintivo e pulsional a interferir nas condutas cinéticas funcionais, quando das manifestações das motricidades dos clientes, enquanto projetos de vida que são.
J.D. Nasio (1999), um estudioso das obras de Freud, apresenta a dinâmica do funcionamento psíquico do ponto de vista freudiano, semelhante a um arco reflexo já bem conhecido dos profissionais de saúde, com seus esquemas de quatro tempos, onde primeiro surge o movimento contínuo da energia instintiva pulsional em direção ao prazer absoluto; segundo , a barra do recalcamento se opõe a movimentação da energia, impedindo a sua passagem total; terceiro, a energia que não transpõe a barra do recalcamento e dá inicio a uma nova excitação; quarto, a energia que transpõe a barra do recalcamento e se exterioriza sob a forma de prazer parcial inerente às formações do inconsciente. Estas formações podem ser atos involuntários, manifestações neuróticas, relações afetivas com uma pessoa, ou com coisas, consigo mesmo, transferidas para seu analista, terapeuta, professor, treinador, ou qualquer outro assistente.
Assim, percebe-se, que não há como negar, ou ignorar, a presença do inconsciente humano agindo ou interferindo nos comportamentos motores voluntários e também nas condutas psicomotoras, sempre presentes nos diferentes "projetos de vidas" e "praxias profissionais", que através das corporeidades dos sujeitos os manifestam no mundo das culturas modificadoras e construtoras do mundo atual, e que também os modificam internalizando-as intra-organicamente através da motricidade humana intencionalizada.

Referências Bibliográficas

Damásio, António R., O Mistério da Consciência, São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Gazzaniga, Michael S. e Heartherton, Todd F., Ciência Psicológica, Porto Alegre: Artmed, 2005.

McArdle, William D., Katch, Frank I. e Katch, Victor L. , Fisiologia do Exercicio, 3ª edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1992.

Manuel Sérgio, Para uma Epistemologia da Motricidade Humana, 2ª edição, Lisboa: Compendium e Manuel Sérgio,1994.

Nasio, J. D.< O Prazer de Ler Freud, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1999.

Vargas, Claudia D. Rodrigues, Erika Carvalho e Fontana, Ana Paula, in Neurociência da Mente e do Comportamento, Coordenado por Roberto Lente, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1) Fisioterapeuta - IBMR; Mestre em Motricidade Humana - UCB/Capes; Professor Mestre Adjunto I da UNIGRANRIO; Doutor em Filosofia da Religião - SETESA/Não Capes; Formação em Psicanálise Clínica - SFPC; Formação em Psicomotricidade Sistêmica - CEC; Formador-Didata em Terapia Psicomotora Analítico-Clínica - TEPAC do CEBRASC; Especialista em Educação - IBMR; Bacharel em Filosofia - SETESA; Bacharel em Teologia - SETESA; Bispo Primaz do Catolicismo Apostólico Salomonita (1902-2010).
(2) Graduação em Psicologia (UGF - 1981), Psicóloga ( UGF-1982), Psicomotricidade (UNESA- 1986), Formação em Psicomotricidade ( Instituto Alfred Binet, Paris -1990), Mestrado em Psicologia ( UGF -1990) Doutorado em Psicologia e Qualidade de Vida ( AWU - 2004) Diretora científica do CEC / RJ Professor universitário da SEFLU . Professor da UCB . Membro titular da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade. Membro efetivo da Rede Internacional de Pesquisadores em Motricidade Humana.