quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Roteiro de Estudos para Saúde, Educação e Sociedade



Prof. Felismar Manoel, Unigranrio, Escola de Ciências da Saúde, Duque de Caxias, RJ,
2015.1


Unidade 1.0 – Organização da sociedade e seus modos de produção.
Segundo Oliveira (2004), os seres humanos necessitam de seus semelhantes para sobreviver. É vivendo em grupo que os indivíduos da espécie humana se tornam realmente humanos; é na vida em grupo que se educam, comunicam, criam símbolos, formas de expressão cultural, perpetuam a espécie e se realizam como indivíduos. O ser humano tem a capacidade natural para viver em sociedade, interagindo uns com os outros através dos processos de socialização, que podem ser de pessoa a pessoa, de pessoa a grupo e de grupo a grupo. Os indivíduos vivem normalmente em famílias (nuclear, parental, afetiva e social), formando as comunidades sociais de convivencia.
Os processos sociais podem ser associativos, através da cooperação, acomodação e assimilação entre pessoas; podendo também ser dissociativos, através da competição e do conflito.
A maneira pela qual a sociedade produz seus bens  e  serviços constitui o seu modo de produção, bem como o modo como os utiliza e distribui, sendo formado portanto, das forças produtivas mais as relações de produção.
O modo de produção é constituído de fatores dinâmicos, que mudam constantemente, sendo composto  pelas forças produtivas, que se modificam com o desenvolvimento dos métodos de trabalho, com os avanços tecnológicos e científicos, mais as relações de produção, estas também sujeitas a transformações.
È nesse processo de desenvolvimento que historicamente surgiu os  diversos modos de produção:
a)    Comunal primitivo – coleta  e  extrativismo, caça, pesca, etc.;
b)   Escravista – relações de domínio e sujeição, na qual o senhor era dono do escravo, considerado um objeto de produção;
c)    Asiático – a sociedade era subordinada ao Estado – os meios de produção e a força de trabalho pertenciam ao Estado, na pessoa do Imperador;
d)   Feudalismo – sociedade estruturada entre senhores e servos, onde as relações de produção se baseavam na propriedade do senhor sobre a terra e no trabalho agrícola do servo;
e)    Capitalismo – relações assalariadas de produção e propriedade privada dos meios de produção pela burguesia. O desenvolvimento da produção é movido pelo desejo do lucro. Etapas do capitalismo:
·          Pré-capitalismo – do século XI ao século XV;
·         Capitalismo comercial, ou mercantil – do século XV ao século XVIII;
·         Capitalismo industrial – do século XVIII ao século XX;
·         Capitalismo financeiro – a maior parte do século XX;
·         Sociedade pós  industrial – do século XX ao século XXI;

===è Com base no texto acima, faça uma análise e construa um mapa conceitual, fundamentando a sua compreensão sobre o assunto.
=è Reflita sobre... Socialismo, Globalização, Neoliberalismo, Exclusão Social...
Para ler mais:
Introdução à Sociologia, Reinaldo Dias. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010
Introdução à Sociologia, Pérsio Santos de  Oliveira, 2004

Unidade 2.0    Educação, cultura e organização da sociedade
2.1 – A educação como instrumento de organização social
Educar comporta uma ideia de acompanhar um movimento, conduzir, ajuda-lo em sua manifestação, podendo assim ser de crescimento, ou desenvolvimento em qualquer área; é muito comum falar em educação com a ideia de acompanhar o movimento de  alguém na busca do conhecimento.
Em qualquer educação é preciso destacar as grandes perguntas sobre nossas possibilidades de conhecer. O conhecimento é uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável.
Na atualidade necessitamos desenvolver teorias abertas, racionais, críticas, reflexivas, autocríticas, aptas a  se  auto reformar; necessitamos do enraizamento de um modelo que permita o conhecimento complexo.
A questão cognitiva tem importância antropológica, política, social e histórica. Para que haja um progresso na época atual, os homens e as mulheres não podem se permitir ser brinquedos inconscientes de suas ideias, mas principalmente das suas mentiras. A tarefa principal da educação é armar cada um para a busca constante e vital da lucidez como domínio próprio e na convivência social.
Para a educação do futuro, Edgar Morin (2004) propõe como segue:
I – Conhecer As Cegueiras do Conhecimento: o erro e a ilusão
A educação naturalmente trabalha o conhecimento; mas que conhecimento? O conhecimento apresenta erro e ilusão. É preciso estar atentos para os erros mentais, intelectuais, de raciocínio e das inadequações de modelos, as questões paradigmáticas.
É importante que na busca do conhecimento tenha atenção na possessão das ideias, esteja alerta na busca e aberto aos agradáveis inesperados que se pode descobrir. Esse conhecimento surpresa, que se descobre por acaso, é denominado serendipidade.  É preciso estar ciente das incertezas do conhecimento.
II – Conhecer os princípios do conhecimento pertinente
Todo conhecimento é contextualizado e isto deve ser levado em conta. Deve-se estar atento para as correlações entre o todo e as partes e entre as partes e o todo, pois é preciso uma vinculação com o conhecimento globalizante; considerar a multidimensionalidade do conhecimento complexo. Hoje, mais que antes, é necessário ter uma abertura para uma visão holística do ser humano.
III – Conhecer a condição humana
É preciso avaliar o enraizamento ou  desenraizamento do ser humano, em suas diversas condições: Estar atento aos aspectos das diversas condições do ser humano: condição cósmica, condição física, condição terrestre, condição humana, espiritual e social.
Ter presente a questão do que é verdadeiramente humano no ser humano: Sua unidualidade; a relação entre o cérebro, a mente e a cultura; o circuito entre razão, afeto,  pulsões e também a circularidade entre individuo, sociedade e espécie.
Considerar  a unidade na complexidade do ser humano, seus diversos aspectos em diferentes esferas; esfera individual, esfera social, diversidade cultural e pluralidade de indivíduos com suas identidades e subjetividades.
Considerar os diversos potenciais do ser humano como ser holístico, como verdadeiro Homo complexus.
IV – Conhecer a identidade terrena
Situar o ser humano na era planetária, entendendo as correlações entre as condutas e comportamentos dos terráqueos atuais e as ameaças que elas podem significar para a vida na terra. 
Conhecer o patrimônio recebido do século XX  com seus terríveis acenos de sofrimento e desventura: a herança de morte, quer por armas nucleares, quer por outros perigos, como o aumento do aquecimento no planeta; considerar a quase sentença de morte para a modernidade, se nada for feito de urgente e geral e de modo global. Refletir nas bases  de esperanças  que surgem e podem prosperar  com as correntes de conscientização e esforços positivos para livramento da destruição precoce da vida na terra.
É preciso que se firme a ideia de que somos filhos  da vida na terra, consolidando nossa identidade terrena.
V – Aprender a enfrentar as incertezas
Conhecer a incerteza histórica, tanto da história criadora, quanto da destruidora, para saber que vivemos em um mundo incerto.
Enfrentar as incertezas da realidade e do conhecimento bem como a ecologia da ação, que acena com algumas estratégias  significativas: as circularidades  risco e precaução, fins e meios, ação e contexto. Há uma imprevisibilidade em longo prazo que se nos apresenta como desafio a encontrar estratégias de enfrentamento para soluções viáveis.
VI – Aprender a compreensão
É preciso que se aprenda a discernir a correta compreensão, diluindo os seus obstáculos, como o egocentrismo (erro de pensar que só o eu importa), o etnocentrismo (erro de pensar que só minha cultura importa), o sociocentrismo (erro de pensar que só aminha sociedade importa) e o espírito redutor. É preciso compreender com a ética do bem pensar, buscando a introspecção que leve a consciência da complexidade humana, com abertura subjetiva em relação ao outro diverso de mim, com interiorização da tolerância em uma atmosfera de alteridade, inserindo sua compreensão em uma dimensão de ética e cultura planetária.
VII – Assumir a ética do gênero humano
Existe uma circularidade entre o individuo e sua sociedade que conduz a aprendizagem da democracia; há que considerar as subjetividades na complexidade do ser humano e a democracia como meio conciliador para o entrosamento; o melhor resultado como dialógica das relações democráticas; bem como considerar a adequação futura da democracia.
Existe uma circularidade entre o individuo e a espécie que conduz a aprendizagem da cidadania terrestre; há uma forte vocação da humanidade para o seu destino planetário, tendo a terra como o lar da humanidade, através de ações adequadas e responsáveis envolvendo as sociedades de forma global.

Como você imagina a questão do que aprender, do que ensinar para uma boa inserção na sociedade?
===è Reflita sobre isto e produza um texto com o seu ponto de vista.
 Para saber mais:
Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Edgar Morin. São Paulo / Brasília: Cortez/UNESCO, 2002;
Educação Popular - metamorfoses e veredas, Luiz Eduardo W Wanderley. São Paulo: Cortez, 2010

2,2 – As Culturas nas Comunidades
De um modo geral toda produção humana pode ser considerada cultura, por isso, na atual fase da humanidade não existe ninguém desprovido de cultura. Não vamos aqui discutir quando surgiu a cultura e nem quais foram as suas causas; estamos preocupados em refletir sobre as culturas das comunidades, como elas surgem e qual a sua importância quando internalizadas nas vidas das pessoas.
É claro que as culturas são  produções dos seres humanos; do ponto de vista da taxonomia, os seres humanos  são assim classificados:
 Reino animal, Filo dos vertebrados, Classe dos mamíferos,  Ordem dos primatas, Família dos hominídeos, Gênero Homo e Espécie sapiens sapiens – Há um certo vínculo com o processo evolutivo.
O gênero humano atual é admitido como resultante desta espécie sapiens sapiens, com um cérebro complexamente desenvolvido e adequado às exigências funcionais dos nossos padrões  contemporâneo de vida.
A cultura que interessa muito aos profissionais de saúde, é aquela que é internalizada pela própria pessoa, como certa e verdadeira na sua vida  e que é ativada pelas crenças pessoais, estimulando seus mecanismos biopsíquicos, podendo, portanto, alterar as funções dos seus padrões bioquímicos e seu sistema imunológico, tendo relação com o  processo saúde –x- doença.
Uma cultura desse tipo surge  de uma vida compartilhada em uma mesma localidade (mesmo prédio, mesmo condomínio, mesmo bairro, mesma religião, etc); embora influenciada pela cultura geral dominante, esta cultura comunitária surge como resultado da visão de mundo do grupo, que a traduz em forma de verdades, conceitos, explicações e valores em beneficio dos que ali convivem. Trata-se de uma cultura intra-orgânica, posto ser aquilo que a pessoa assume, sendo uma cultura que “está internalizada, dentro dele”.
Em virtude de ser esta cultura aceita e praticada como um valor, que gera um bem para o grupo, esse grupo vai elaborar normas de condutas e comportamentos ostensivos orientados para a boa convivência, tornando essa norma a sua moral (etnocêntrica), que posta em prática vai gerar um comportamento ético (ética da convicção), ambos influindo na vida coletiva, através da socialização da convivência e da ação das  instituições sociais, como a família, a escola, a igreja, os clubes, entre outros.

Existem alguns termos técnicos derivados da língua grega que categorizam alguns elementos citados no parágrafo acima;
Hethos = dinâmica da localidade de convivência que influencia seus moradores;
Ethos = costumes predominantemente praticados pela pessoas da localidade;
Cosmovisão = visão de mundo das pessoas que compartilham a convivência;
Cultura = conceitos, ideias, crenças, artes, ciências, etc. produzidos pelo grupo em consequência de sua visão de mundo local.
Moral etnocêntrica = Normas de condutas elaboradas pelo grupo de convivência e livremente internalizadas pelos seus componentes.
Ética da convicção = Padrões de comportamento observado pelo grupo, livremente adotado e compatível com as suas normas morais.

===è ...
Para ler mais;
Introdução à Sociologia, Reinaldo Dias. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010
Cultura – um conceito antropológico, Roque de Barros Laraia,         Rio de Janeiro: Zahar, 2009
A Explicação Sociológica na Medicina Social, José Carlos de M. Pereira, São Paulo: UNESP, 2005

Unidade 3.0 – Determinantes sociais em saúde
3.1 – De acordo com a Teoria do Campo da Saúde de Lalonde
Tradicionalmente no Brasil os enfoques das questões de saúde, historicamente vem sendo praticados  de acordo com a visão flexneriana, que aborda a saúde após a instalação da doença. Neste caso considera  o hospital como o centro das práticas assistenciais; nesse caso trata-se de uma atividade de muito maior gasto financeiro.
Aqui vamos utilizar o ponto de vista de Lalonde, que fez uma abordagem do campo da saúde, ou seja, o lugar onde o processo saúde –x- doença  se desenvolve. Isto permite trabalhar a questão da saúde em todos os níveis, promoção, proteção, prevenção e tratamento das doenças,  prevenção e tratamento dos agravos e sequelas,  recuperação da saúde e assistência custodial para as doenças crônicas e progressivas.
Lalonde definiu assim o conceito de “campo da saúde”:
3.1 (A)  – Influência do ambiente na saúde.
Quando se avalia o ambiente do ponto de vista dos determinantes de saúde, deve-se considerar a topografia do terreno e sua dimensão em área, visando avaliar escoamento das águas de chuvas (se fluxo laminar, ou turbilhonar); a drenagem do solo, para condução de águas pluviais e esgotos; abastecimento de água potável; registrar se trata de zona urbana, rural, ou mista; natureza do solo (rochoso, pedregoso, arenoso, argiloso, manguezal, etc);  a questão da acessibilidade do ir e vir (barreiras arquitetônicas, animais soltos nas pistas, etc); o clima local predominante nas estações do ano; a qualidade dos espaço: tratamento de lixos, resíduos sólidos (lembrar que  resíduos contaminados possibilitam vetores biológicos espalhar contaminação); qualidade do ar (chaminés de fábricas, queimadas, resíduos de combustíveis de veículos); poluição sonora (sons muito alto); poluição visual ; iniquidades de convivência (insegurança, trocas de tiros, coisas que incomodam e que você não consegue descartar); vegetação local; tipos de moradias predominantes; outros.
3.2 (B) – Estilos de vida da população / Aspectos socioculturais e econômicos
O estilo de vida tem uma estreita relação com os hábitos e costumes socioculturais e econômicos de uma população, tais como: Prática de atividade física; esforços para evitar dependências como fumo, álcool, maconha, outras drogas, jogos viciantes; fuga do ócio, sedentarismo, vida sem sentido; fuga de  uma dieta rica em carboidratos simples, gorduras, sal; fuga de uma dieta pobre em fibras e alimentos integrais; pratica de higiene mental, lazer, meditação, vida prazerosa; outros.
3.3 (C)   – Organização dos serviços de saúde e sua interface com o processo saúde –x- doença
Os serviços de saúde devem dar conta de atender a população adequadamente, tanto nas baixas e medias complexidades, quanto nas altas complexidades, preferentemente a partir das comunidades e domicílios sanitários do individuo; quando isto não ocorre torna-se uma iniquidade para as condições de saúde da população.
3.4 (D) – Aspectos biológicos da saúde
Quando se fala aqui dos aspectos biológicos da saúde, não estamos focando os fatores próprios de cada indivíduo (fatores endógenos, intrínsecos das pessoas), nem as classes de riscos biológicos à saúde; estes serão abordados em disciplinas específicas durante cada curso. Estamos aqui nos limitando àqueles aspectos ou fatores que podem cultivar-se em nichos locais e que podem ser transmitidos por vetores animais.
Diversos vetores do reino animal, podem ter contatos com resíduos contaminados e levar essa contaminação para outros locais, produzindo infecções ou surto de doenças: formigas, moscas, mosquitos, baratas, ratos, aves, morcegos, são tipos de vetores de doenças de cunho biológico, que podem transitar em mais de um território levando agentes de contaminação e doenças para as populações. Nas localidades podem  existir nichos, ou alojamentos de fungos, bactérias, parasitas, ou assemelhados, que são fontes de infecções e infestações, podendo contaminar moradores, animais domésticos e outros vetores que espalham as infecções.
Os fatores biológicos intrínsecos aos animais e aos humanos, que constituem bases endógenas animais de doenças,  serão estudados quando do exame do individuo doente; certos fatores  biológicos  próprios de uma comunidade ou território,  podem constituir bases da geração de doenças do ser humano e dos animais,  sendo transmitidos  por  vetores animais.
Em outras disciplinas mais específicas, vocês estudarão estas questões, conhecendo as classes de riscos biológicos à saúde.
===è Estes itens apontados na unidade 3 e suas subunidades, poderão ser usados para a elaboração do projeto de pesquisa; grupos de três a cinco, farão as pesquisas em suas comunidades onde vivem, orientadas pelos professores, e poderão ao final do período fazer uma apresentação relatando a situação atual das comunidades e/ou  publicá-los, dependendo do nível de excelência.
Para saber mais:
Ecologia, Epidemiologia e Sociedade, Oswaldo P. Foratini. São Paulo, Artes Médicas, 2004
Conceito de Campo da Saúde – Uma Perspectiva Canadense. Portal da Unigranrio

Unidade 4.0 – Educação das relações étnicorraciais, identidade e gênero
4.1 –Etnorracialidade: A formação da identidade brasileira
Tratados Internacionais sobre  Direitos Humanos, definem que os povos têm o direito de suas afirmações étnicorraciais, pois elas  tem vínculos com suas respectivas identidades culturais e até mesmo com as singularidades dos indivíduos.
O brasileiro é um povo que traz variedades de  influências étnicorraciais e culturais, presentes em sua identidade cultural, conforme nos aponta  Darcy Ribeiro (2013).
Geralmente  pratica-se um reducionismo simplista, quando se  afirma que o Brasil foi descoberto pelos portugueses em 1500. É preciso ter consciência que o território brasileiro já era habitado por várias etnias indígenas e estas com suas culturas próprias, comunicando entre si com suas línguas próprias. Já havia entre os índios do Brasil, a língua  Tupi como tronco linguístico de compreensão  geral entre as principais etnias indígenas do Brasil, semelhante ao Guarani que era uma língua geral entre os nativos ali pelas bandas do Paraguai. Os missionários jesuítas aprenderam essas línguas, que foram ensinadas a outros para facilitar a catequese e  a comunicação entre o povos que aqui viviam.
Essa língua geral do Brasil, usando  elementos Tupi-Guarani, é conhecida pelo nome  Nhenhegatu (significa boa língua), sendo também conhecida  como Língua Brasílica e usada em nosso país até cerca de 1940, só caindo em desuso por essa época e depois no esquecimento, sendo hoje ignorada até pela população universitária.
A mestiçagem começou no Brasil inicialmente  pelo cruzamento dos homens brancos com as índias, já que não havia outras mulheres disponíveis. É importante saber que os índios adotam o princípio do cunhadismo, constituído pelo hábito de arranjar uma mulher índia para o estrangeiro e incorporá-lo à sua tribo. Desse  relacionamento  de brancos com índias surgiram  os mamelucos, também conhecidos como caboclos, melhor adaptado à vida na floresta. Essa população cresceu chegando a formar comunidades maiores que as comunidades dos índios. Mas qual era a sua identidade? Eram filhos de europeu, mas não eram europeus; eram filhos de indígenas, mas não eram índios, embora falassem o Nhenhengatu. Ai começa a surgir a necessidade da busca de identidade; Darcy Ribeiro denomina essa população de Brasilíndios.
A produção econômica do Brasil dessa época usava trabalho escravo da mão de obra indígena (no I século após o descobrimento), mas que tornou-se mais tarde difícil e insuficiente, surgindo logo a seguir a aquisição dos escravos africanos, durando o regime afro-escravista no Brasil cerca de três séculos.
Vieram da primeira leva africanos de cultura Sudanesa, os Yorubá, também conhecidos como Nagô; de cultura Dahomey, conhecidos com Gêge; e de cultura Fanti-Ashanti, conhecido como Minas. Da segunda leva vieram africanos da cultura Islâmica, os Peuhl, os Mandinga e os Haussa e da terceira leva os africanos da cultura Bantu, os Congo-angolês. Todos esses africanos suportaram terríveis sofrimentos na vida de escravidão, por isso muitos tentavam fugir para as florestas e criavam suas próprias comunidades denominadas Quilombos e seus moradores conhecidos como quilombolas, ainda existindo em nossa Pátria a população descendentes de alguns desses quilombos.
Semelhante ao cruzamento do branco com a índia que fez surgir os mamelucos, ou caboclos, também houve cruzamento do branco com as africanas surgindo os mulatos, bem como o cruzamento do negro com índia surgindo os curibocas. Esta população assim formada é denominada por Darcy Ribeiro como os Afro-Brasileiros e que constituem os principais responsáveis pela aprendizagem e divulgação da língua portuguesa  em nosso território.
Esses povos se tornavam numerosos, sendo suas comunidades maiores do que as comunidades indígenas e dos reinóis portugueses (europeus partidários ou servidores aos reis); por outro lado havia os filhos de casais de brancos portugueses nascidos no Brasil, estes denominados por Mazombos. Os mazombos também tinham crise de identidade, pois não eram bem aceitos pelos de Portugal, já que nascidos no Brasil, nem eram considerados brasileiros, posto que esta nacionalidade não tinha sido configurada ainda na alma dos povos aqui nascidos.
Este grande contingente de pessoas que então surgira no território brasileiro constituiu os Neobrasileiros, usando predominantemente a língua Nhenhengatu, embora os Afro-Brasileiros já usassem o Português também, que constituía sua língua de comunicação no ambiente de trabalho.
É claro que todos esses povos que aqui viviam buscavam uma identidade própria, pois nem eram portugueses, nem eram índios, nem eram africanos, havendo rejeição de parte a parte. Esses povos estabeleceram boas relações de convivência, sendo a parte Afro-Brasileira mais numerosa, que somada aos reinóis, facilitou a maior divulgação da língua Portuguesa, que acabou por ser o instrumento de constituição e consolidação da unidade e identidade cultural do brasileiro. Podemos considerar que hoje constituímos uma nova etnia, a etnia brasileira, restando consolidar nossa plena cidadania e comportamento de alteridade com as diferenças.
===è ...
Para ler mais:
O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, Reimpressão 2013
Origens Africanas do Brasil Contemporâneo: Histórias, línguas, Culturas e Civilizações, K. Munanga. São Paulo: Global, 2009

4.2 – Alteridade, Identidade e Gênero
Alteridade é a capacidade de apreender o outro na plenitude da sua dignidade e singularidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais preconceitos e conflitos ocorrem entre os povos.
Existe uma tendência geral no ser humano, em querer colonizar  o outro diferente de si,  partindo do princípio de que “eu sei e ensino” para ele, como se “eu fosse o espelho” no qual ele deveria olhar para ver a sua  própria imagem. É como se eu soubesse melhor e mais do que ele. É evidente que cada um de nós sabe algumas coisas, mas que também  os outros diferentes de nós sabem outras tantas coisas, e é graças a essa complementação que vivemos bem em sociedade.                            
Precisamos adotar a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro é, com sua diferença em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela via do amor, usando uma expressão evangélica; pela via do respeito, usando uma expressão ética; pela via do reconhecimento dos seus direitos, usando uma expressão jurídica; pela via do resgate da sua dignidade como ser humano, usando uma expressão moral. Isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade. Isto é alteridade.
Identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros, diante do conjunto das diversidades ou ante seus semelhantes.
Sua conceituação interessa a vários ramos do conhecimento (história, sociologia, antropologia, direito, psicologia, etc.), e tem diversas definições, conforme o enfoque que se lhe dê, podendo ainda haver uma identidade individual ou coletiva, falsa ou verdadeira, presumida ou ideal, perdida ou resgatada.

Identidade ainda pode ser uma construção legal, traduzida em sinais e documentos, que acompanham os indivíduos.
Existem diversos conceitos de identidade: Para a sociologia identidade é o compartilhar de várias ideias e ideais de um determinado grupo;
para a Antropologia, Identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o entendimento relacional de determinada entidade, humana ou não-humana, percebida por contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por outrem.  A ideia de identidade está  relacionada a  alteridade, sendo  necessário existir o outro e seus caracteres para definir por comparação e diferença com os caracteres pelos quais me identifico.
Para a psicologia identidade é o conjunto de singularidades próprias do indivíduo, com as quais ele se identifica e se constrói como sujeito, para sustentar suas idiossincrasias.
Para a Medicina legal identidade consiste numa série de exames feitos no vivo ou no morto, onde se apuram, no ser humano, a raça, sexo, estatura, idade, dentição, peso e conformação corpórea, sinais particulares (má-formações, cicatrizes, tipo sanguíneo, feições faciais, etc.).
Na Filosofia a identidade constitui objeto de cogitações por variados pensadores e correntes filosóficas, e seu conceito varia, portanto, de acordo com os mesmos.
Para o Direito, a Identidade constitui-se num conjunto de caracteres que, delimitados legalmente, tornam a pessoa ou um bem individuado e particularizado, diferenciando-o dos demais, e como tal sujeito a direitos e/ou deveres.
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Gênero  faz referência à identidade adotada ou atribuída a uma pessoa, homem ou mulher, de acordo com seus genitais, sua psicologia ou seu papel na sociedade. Ainda que gênero seja usado como sinônimo de sexo para a maioria das pessoas, nas ciências sociais e na psicologia  gênero se refere às diferenças sociais, (conhecidas nas ciências biológicas como papel de gênero).
Historicamente, o feminismo posicionou os papéis de gênero como construídos socialmente, independente de qualquer base biológica. Pessoas cuja identidade de gênero difere do gênero designado de acordo com os genitais são normalmente identificadas como transexuais ou transgêneras.
No Brasil o conceito de gênero foi introduzido por pesquisadoras norte-americanas, que utilizavam a categoria gender para abordar as “origens exclusivamente sociais das identidades subjetivas de homens e mulheres”.
O feminismo tem mostrado, através de estudos sociológicos e antropológicos, que as explicações de ordem natural são, na verdade, uma formulação ideológica, utilizada para justificar e legitimar os comportamentos sociais de homens e mulheres em determinada sociedade.
Gênero serve, dessa forma, para determinar tudo que é social, cultural e historicamente definido e não é sinônimo de sexo. É mutável, pois está em constante processo de ressignificação devido às interações concretas entre indivíduos do sexo feminino e masculino.

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Para ler mais:
Introdução à Sociologia, Reineldo Dias. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010
Educação , Raça e Gênero: Relações Imersas na Alteridade, Nilma Lino Gomes, Cadernos Pagu, 1996
Gênero, Identidade, Diferença, Sandra Regina Goulart Almeida, UFMG - A L E T R I A - 2 0 0 2  Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/poslit


Unidade 5.0  – Dimensões da Gestão do Cuidado em Saúde

Gestão do cuidado em saúde pode ser definida como a disponibilização das tecnologias de saúde, conforme as necessidades singulares de cada pessoa, em diferentes momentos da sua vida, objetivando o seu bem estar, segurança e autonomia para seguir com uma vida produtiva e feliz. 
Podemos entender a gestão do cuidado em saúde sendo realizada em seis dimensões, como segue:
I – Dimensão individual da gestão do cuidado em saúde – assume o cuidar de si, significando o cuidar de cada um de nós sobre nós mesmos, o modo como levamos a vida, fazendo escolhas, se conscientizando sobre as consequências dos nossos comportamentos sobre nós mesmos.
Em saúde coletiva considera-se estar sadio como sinônimo de autonomia; estar sadio é estar capacitado para produzir novas normatividades diante das adversidades da vida, produzir novos modos de viver; pois enquanto estivermos vivos estaremos fazendo escolhas produzindo o nosso modo de viver.
Essa dimensão individual do cuidado envolve o estar  atualizado sobre os conceitos de indivíduo e de autonomia: é como ser de autonomia que o individuo constroi sua subjetividade, com certa constância, influenciado pelos diversos contextos de sua vida, como ser de abertura entre o organismo e seu meio, vinculados às regras da vida que definem nossos eus.
II – Dimensão familiar da gestão do cuidado em saúde – envolve a família, os ciclos de amigos, os vizinhos. É uma gestão localizada no mundo da vida, mesmo quando das dificuldades e contradições; existem complexidades nos laços familiares, sobrecargas de trabalho para os cuidadores, exigências constantes para a realização do cuidado. Há uma certa colonização institucional em consequência dos programas de desospitalização, atendimento domiciliar, devendo assumir maior importância com o envelhecimento da população.
III – Dimensão profissional do cuidado em saúde -  se dá no encontro entre os diversos profissionais e usuários em saúde. Trata-se de um encontro privado em espaços protegidos, fora de qualquer olhar externo de controle. Três são os elementos principais o que regem: a) competência técnica dos profissionais em seus núcleos profissionais específicos; b) postura ética do profissinal – mobilizar tudo  que sabe e tudo o que pode fazer em suas condições reais de trabalho, para atender da melhor forma possivel – c) capacidade de construir vínculos com os que precisam de cuidados.
IV – Dimensão organizacional do cuidado em saúde – equipe e gerente -  se realiza nos serviços de saúde, marcada pela divisão técnica e social do trabalho, evidenciando novos elementos, tais como: a) trabalho em equipe; b) atividades de coordenação e comunicação em saúde; C) função gerencial proporiamente dita – trabalho, centralidade, organização do processo de trabalho, definição de fluxos e regras de atendimento, adoção de de dispositivos compartilhados por todos os profissionais (agendas, protocolos únicos, reuniões de equipes, planejamento, avaliação,, etc) .
A gestão organizacional do cuidado em saúde depende da ação cooperativa de vários atores, a ser conseguida em territórios marcados com frequência  pelo dissenso, pela diferença, pelas disputas, pela assimetria de poder.
V – Dimensão sistêmica da gestão do cuidado em saúde – constroi conexões formais regulares e regulamentadas entre os serviços de saúde, compondo redes ou linhas de cuidados buscando construir a  integralidade do cuidado. Historicamente concebida como uma pirâmide, constituida por serviços de complexidade crescente, interligados entre si, através de processos formais de referência/contrareferência, que deveriam resultar em fluxos ascendentes / descendentes ordenados e racionalizados por usuários.                        Assim:    o modo como constroem itinerários terapêuticos     que escapam à racionalidade pretendida pelos gestores;           a transversalidade que o trabalho médico produz ainda no sistema de saúde, apesar  das estrategias disciplinadoras a que são submetidos;                                                                       as várias portas de entrada para o sistema, principalmente no pronto-atendimento , que desafia a própria ideia de porta de entrada.                                                                                       Tudo   isso tem obrigado gestores e pesquisadores a adotarem conceitos mais flexiveis: redes de cuidados construidas a partir dos usuários, trabalhadores e gestores.
A despeito desta complexidade e multiplicidade de atores e movimentos, aqueles que se ocupam de cargo de direção nos sistemas locais de saúde, tem uma grande responsabilidade na gestão sistêmica do cuidado em saúde.
VI – Dimensão societária da gestão do cuidado em saúde – o Estado e a Sociedade Civil – como em cada sociedade se produzem as políticas públicas em geral e particularmente a saúde; como é pensado o papel do  Estado em suas estratégias para a garantia dos trabalhadores que implementarão as políticas  sociais.
Esta é a dimensão mais ampla da gestão do cuidado, sendo nela que se aprecia como cada sociedade produz cidadania, direito à vida e acesso a tudo que contribua para uma vida melhor.
Nessa dimensão ocorre o encontro da sociedade civil desigual com o Estado, e a disputa de diferentes projetos societários que oferecerão melhores ou piores condições de vida para amplos extratos da população.
====è ....
Para Ler Mais:

Apontamentos teórico-conceituais sobre processos avaliativos considerando as múltiplas dimensões da gestão do cuidado em saúde,  Luiz Carlos Oliveira Cecilio.  Interface   Comunicação Saúde Educação v. 15 n. 37, p. 589-99. Abr./jun. 2011 


Unidade 6.0 – Território e Territorialidade

6.1 – Aspectos de proteção e riscos presentes no ambiente que estão relacionados ao processo saúde –x- doença

Território e territorialidade são conceitos de geografia política e etologia, que traz grande importância para as questões de saúde. O território é uma área demarcada por fronteiras conhecidas, como os municípios, os estados, as nações.

Existem territórios rurais, urbanos e mistos; grande parte de nossas questões de saúde se encontram nos territórios urbanos, nas cidades, que no Brasil se dividem em distritos, compostos por áreas rurais, urbanizadas e mistas.

Esses territórios se diferenciam entre si, como expressão da desigualdade sócio-espacial, resultante da lógica que preside a organização da sociedade e a produção do seu espaço.

Em função da divisão social do trabalho, a cidade é antes de tudo uma concentração de pessoas exercendo atividades concorrentes ou complementares, podendo surgir uma disputa de usos: uso produtivo do espaço da cidade, que depende  das características do processo de reprodução do capital e uso residencial, com os serviços essenciais, onde ocorre a reprodução da vida social.

No território da cidade poderá surgir uma contradição entre os interesses do cidadão e das grandes empresas, e na prática, a decisão nessa disputa tem na maioria das vezes, acontecido em favor das empresas. O cidadão tem direito a moradia  digna garantido pela Constituição Federal, não sendo, entretanto, atendido neste quesito toda a população, proliferando em consequência a sub moradia, a sub habitabilidade, nos mocambos e favelas.

O lugar onde o indivíduo vive é fundamental para aquisição de  seu valor, como produtor, consumidor, cidadão, entre outros. O lugar onde se vive compõe o ambiente com seus fatores interferentes no processo saúde –x- doença; é aí que ele construirá a sua cultura de convivência, incorporando os valores da visão de mundo do grupo; é aí que subsistirão os fatores ambientais interferentes no seu processo de saúde –x- doença; é aí que surgirão hábitos e costumes socioculturais e econômicos que manifestarão nos seus estilos de vida.

O conceito de territorialidade  refere-se às relações de poder delimitadas espacialmente e operando sobre um referencial. As empresas, e os mais diversos agentes sociais, desenvolvem suas próprias estratégias de apropriação do território, suas territorialidades, frequentemente justapostas sobre o mesmo espaço social, podendo gerar conflitos.

Do ponto de vista etológico, a territorialidade sustenta os costumes de certos vetores, que embora localizados em nichos territoriais delimitados por fronteiras, ultrapassam essas fronteiras podendo ser agentes propagadores de enfermidades em outros territórios.

Pode também surgir o territorialismo, em que o controle territorial pode ser um imperativo para os grupos sociais, com fechamento do espaço social, com recusa de acesso ao outro, como exemplos temos o territorialismo das elites econômicas, com agentes de segurança, muros, cercas eletrificadas, circuitos internos de TV, etc

Ainda se deve pensar na desterritorialização, com desapropriação do espaço social; lugares são desconectados dos circuitos integradores da sociedade capitalista, como mercado de trabalho, consumo e cidadania, multiplicando os aglomerados  de exclusão. Em muitos desses lugares se sobrepõem os vários territórios e redes: narcotráfico, presídios conectados por centrais telefônicas clandestinas, gangues, torcidas agressivas organizadas etc.. O aglomerado de exclusão é sempre um território  contestado.

===è Estas informações sobre território e territorialidade, também devem ser consideradas quando da elaboração dos projetos de pesquisas nas comunidades.

Para ler mais:

A contribuição do conceito de território para uma gestão socialmente justa da cidade. Carlos Alberto José de Carvalho  - Ciclo de Atividades com as Subprefeituras. Portal Unigranrio


Unidade 7.0  – Ética e Bioética

7.1 – Aspectos da Moral Social e Ética Humana

Já conhecemos as morais etnocêntricas e as éticas relacionadas com as nossas convicções (sub-unidade 2.2). Essa é uma moral e ética de cunho pessoal, comunitário,  nem sempre possível no viver da coletividade social  multicultural.

Necessitamos da moral social e ética humana que permeiam a nossa vida coletiva no meio social; elas, em uma sociedade multicultural, como é no caso a sociedade brasileira, surgem dos pontos diversos que são comuns às varias culturas comunitárias e que são consensualmente aceitas pela maioria da população.

A moral social e a ética humana derivam do consenso social e orientam o comportamento das pessoas e a elaboração das leis nacionais.

No mundo imerso na globalização, quer da economia, quer das ciências e tecnologias, nosso comportamento, nosso agir público e privado, tendem a se adequar a uma moral é ética de maior aceitação universal. É preciso  que não nos enclausuremos apenas em nossos valores da vida comunitária, religiosa, filosófica, ou ideológica; é necessário que nos abramos para os valores universais que visam o bem da humanidade, o bem da vida planetária

7.2  – Origem e Principios da Bioética Principíalista

No mundo da ciência e da tecnologia, ao qual estamos sendo incorporados como profissionais da saúde, área atualmente grandemente envolvida com as altas tecnologias, iremos atuar nas fileiras das práticas assistenciais, nas pesquisas científicas e tecnológicas, exigindo de nós uma nova postura, mais cuidadosa, acurada e responsável; geralmente os filósofos se ocupam destas reflexões.

Existe um filósofo contemporâneo, Hans Jonas, que desenvolveu  uma séria reflexão  ética sobre o “princípio responsabilidade”, que tem recebido com entusiasmo a acolhida das áreas científicas e tecnológicas, devido a sua harmonização com as preocupações bioéticas, que estão presente universalmente nas ações que se relacionam com os seres humanos e a vida no planeta terra, quer seja no plano assistencial, ou das pesquisas científicas e tecnológicas,

Hans Jonas desenvolveu as suas reflexões sobre um imperativo categórico, “age de tal forma que, os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência da vida humana autêntica sobre a terra”.

As reflexões de Hans Jonas sobre a ética da responsabilidade é perfeitamente compatível com a bioética principialista adotada pelo Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde do Brasil – CNS/MS, que rege a CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e os CEPs (Comitês de ética em Pesquisas) existentes nas  diversas instituições pelo Brasil a fora.

A dinâmica da bioética que conhecemos atualmente, teve  sua origem a partir das preocupações de um clínico cancerologista nos Estados Unidos em 1970, chamado Van Rensselaer Potter, e que teve acolhida praticamente em todas as partes do mundo da ciência e tecnologia, motivando a criação de diversas sociedades, predominantemente vigorando a bioética baseada em quatro princípios.

É de acordo com estes princípios que se organiza o CEP-Unigranrio, que avalia o perfil ético dos projetos de pesquisa aqui na Unigranrio. A Sociedade Brasileira de Bioética, alinhada à Sociedade Internacional de Bioética e outras congêneres de diversos países, postulam os princípios da Bioética Principialista, embora existam outras abordagens.

A Bioética Brasileira compatibilizada na Resolução 466/2012 do CNS/MS, se harmoniza com os seguintes princípios orientadores do nosso agir na assistência aos seres humanos e nas pesquisas científicas e tecnológicas:
·         Respeitar  a autonomia da pessoa;
·         Praticar Justiça e equidade nas nossas ações ;
·         Agir com beneficência predominantemente;
·         Não maleficiência nas ações.

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Para ler mais:

Princípios de Ética Biomédica, Tom L. Beauchamp; James F Childress. São Paulo: Loyola, 2011
O Princípio Responsabilidade de Hans Jonas: Um Princípio Ético para os Novos Tempos. Cláudia Battestin, Gomercindo Ghiggi. Thaumazein, Ano III, número 06, Santa Maria (Outubro de 2010), pp. 69-85.
MANOEL, Felismar. Roteiro de Estudos de Saúde, Educação, Sociedade. Blog do Professor Felismar (www.professorfelismar.blogspot.com). Duque de Caxias RJ: Unigranrio, 2014